Hoje vamos falar de nossa responsabilidade nos rumos da educação. Não há nada mais precioso para a humanidade do que nossos jovens e crianças, você concorda? São eles a nossa esperança de um futuro melhor. O futuro deles, e de todos nós, é construído no hoje, no agora. E a educação é a ponte.

Hoje vamos falar de confiança. Você confia na educação que tem dado aos seus filhos? Você confia na educação que eles recebem nas instituições voltadas para este fim? Você confia que a educação que temos hoje está nos levando para um futuro melhor? Você concorda que o propósito da educação deveria ser conduzir-nos para um futuro melhor? Então vamos falar de propósito!

Qual o propósito dos sistemas de educação que temos hoje?

Simon Sinek, um pensador de nossa geração que se tornou conhecido por sua teoria do Ciclo de Ouro, traz uma reflexão interessante sobre as coisas que fazemos. A maioria de nós sabe dizer o que faz (what). Muitos de nós sabemos dizer uma melhor forma ou metodologia para fazermos o que fazemos (how). Entretanto, poucos de nós costumamos saber dizer por qual motivo, realmente, fazemos o que fazemos (why). Poucos sabemos dizer qual o propósito de nossas ações e qual a repercussão que gostaríamos que elas tivessem para a comunidade na qual estamos inseridos.

Os princípios do Ciclo de Ouro, pensados no contexto da educação, nos fazem refletir sobre os nossos métodos de aprendizado. Será que podemos dizer que nossos jovens e crianças compreendem o propósito de cada conteúdo novo que lhes é apresentado na escola?Claro que entendemos que todo conhecimento é relevante, mas é necessário repensarmos os propósitos, até mesmo para repensarmos a forma como estes conteúdos nos são apresentados. É justamente neste ponto que José Pacheco e a Escola da Ponte conseguiram inovar: reintroduzindo o sentimento de propósito nos métodos de educação.

A incrível experiência da Escola da Ponte

Escola da Ponte é uma instituição pública de ensino de Portugal que fez uma verdadeira revolução no quesito propósitos da educação. Indo na contramão do modelo rígido de séries e ciclos, a instituição proporciona que estudantes de diferentes idades se organizem a partir de interesses comuns, para desenvolver projetos de pesquisa, coletivamente.

A organização pedagógica da instituição se configura a partir de três núcleos distintos: Iniciação, Consolidação e Aprofundamento. A cada núcleo, o aluno assume mais autonomia sobre seu próprio processo de aprendizagem. Até ao final do núcleo de Consolidação, ele terá experimentado conteúdos do currículo nacional destinado ao 1º ciclo do ensino básico, porém ele mesmo terá gerido a ordem de seu aprendizado, a partir de seus interesses.

Da mesma forma, até o final do núcleo aprofundamento, terá experienciado o estudo do currículo nacional do 2º ciclo. Em vez de disciplinas, o projeto pedagógico da Escola da Ponte é dividido em 6 dimensões, apoiadas por docentes, pedagogos e psicólogos:

1) Dimensão linguística (Língua Portuguesa, Inglesa, Francesa e Alemã),

2) Dimensão lógico-matemática (Matemática),

3) Dimensão naturalista (Estudo do Meio, Ciências da Natureza, Ciências Naturais, Físico-Química e Geografia)

4) Dimensão identitária (Estudo do Meio, História e Geografia de Portugal e História),

5) Dimensão artística (Expressão Musical, Dramática, Plástica e Motora, Educação Física, Educação Visual e Tecnológica – E.V.T., Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológica e T.I.C.)

6) Dimensão pessoal e social (Formação Pessoal, Ensino Especial e Psicologia).

Dessa forma, a Escola da Ponte define o que faz, como faz e principalmente, por que faz. Se coloca como ponte para um aprendizado que parte dos interesses individuais e coletivos de seus alunos. Reconhece que antes de saber o que fazer ou como fazer, é necessário saber por que queremos fazer alguma coisa, qual sua utilidade no mundo e quais responsabilidades estão implicadas em cada ação e conhecimento, e principalmente descobrir o que nos inspira.

E então, qual o propósito da educação que temos recebido e na qual temos investido?

Nós concordamos que a educação é um instrumento poderoso na história da humanidade. A partir dela, é possível revolucionar o mundo, para bem ou para mal. Quando o aprendizado vazio dos porquês é estimulado, adentramos em um universo de subserviência que pode nos fazer estagnar ou retroceder. Mas quando o aprendizado com propósito é estimulado, as portas da criatividade são abertas e a responsabilidade pelos rumos do mundo encontram morada em cada um de nós.

Experimente o Ciclo de Ouro na Educação. Antes de “o que fazer” ou “como fazer”, pergunte, a si mesmo ou aos outros, por que fazer. E professor, escute mais “os porquês” dos seus alunos. Seja o guia do processo de descoberta e entendimento do que os inspira. E mais importante, crie caminhos para que eles possam transformar a nossa realidade.

 

Que tal continuarmos essa reflexão nos comentários abaixo?!